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Oxalá é a vibração suprema da Umbanda, o Orixá maior de onde emanam todas as outras forças e linhas de trabalho espiritual. É a centelha divina que habita cada ser, a luz que inspira todas as manifestações da fé e a harmonia que sustenta o equilíbrio do universo. Na tradição umbandista, sua energia está sincretizada em Jesus Cristo, o Mestre de amor que, pela pureza e pela entrega, alcançou e refletiu a vibração mais elevada do Divino.
A presença de Oxalá vive em cada um de nós — velada ainda por nossas imperfeições, mas sempre atuante, sempre luminosa. É o Cristo interior, que fala através da consciência e consola através da fé. É a força que jamais deixa um coração sem resposta, e que busca, entre os homens, aqueles capazes de ouvir o chamado do Alto e dizer: “Eis-me aqui, Senhor, envia-me.”
Oxalá não se manifesta por incorporação na Umbanda, pois sua vibração é pura e transcendente. Ele age através da fé, da luz, da razão e da paz, conduzindo os filhos à serenidade e ao entendimento. Representa a criação, a fecundidade e a plenitude espiritual.
Sua cor é o branco — símbolo da pureza, da verdade e da transparência divina. O branco reflete tudo o que existe e nada esconde, pois em Oxalá não há sombra, apenas luz. Segundo a mitologia iorubana, é o pai de todos os Orixás e o responsável pela criação e administração do mundo, guardião da humanidade e exemplo de calma, sabedoria e compaixão.
Nas sextas-feiras, dia consagrado a Ele, os filhos de fé vestem-se de branco em reverência e agradecimento, reafirmando o compromisso com a paz, a pureza e a luz que Ele representa. Oxalá é o silêncio que ensina, a calma que cura e a presença que abençoa — é o princípio e o fim de toda vibração divina.
Oxalá é a luz que acalma o mundo, o sopro que criou a vida e o amor que nunca se apaga.
Oxóssi é o senhor das matas, o caçador divino que busca a fartura, a saúde e a prosperidade para seus filhos. Representa a inteligência, a agilidade e a precisão, sendo o orixá da abundância, da nutrição e das curas que vêm da natureza. Rege os alimentos, as florestas e tudo o que sustenta a vida — é ele quem provê o sustento e garante a harmonia entre o homem e a Terra.
Oxóssi é também símbolo da contemplação e da beleza. É o orixá que observa em silêncio, que aprende com o vento e que ensina a escutar o sussurro da floresta. Amante das artes e das coisas belas, ele nos inspira a enxergar a sabedoria na simplicidade e o divino em cada gesto da natureza.
Na Umbanda, Oxóssi se manifesta por meio dos caboclos e caboclas — espíritos nobres, de origem indígena ou afim, que carregam a força da mata e o amor pela humanidade. Esses guias são conselheiros e curadores, trabalham pela caridade e pela fé, e ensinam a coragem, o respeito e o amor ao próximo. Utilizam o giz de pemba, as ervas, as frutas, as velas e o fumo sagrado em seus rituais, purificando a aura e restaurando o equilíbrio espiritual dos consulentes. São espíritos firmes, leais e altivos, sempre dispostos a servir na luz do Criador.
Aruanda é o lar espiritual desses caboclos, colônia luminosa onde vibram em harmonia com os propósitos da caridade e da evolução. Sua forma fluídica indígena representa afinidade espiritual com a força da natureza, não necessariamente sua última encarnação, mas o símbolo da pureza e da conexão com a Terra.
Oxóssi é, enfim, o caçador dos axés — aquele que busca as boas energias e as espalha pelo mundo. É a força que sustenta a vida, a sabedoria que guia o coração e o silêncio que ensina mais do que mil palavras.
Oxóssi é a flecha certeira que caça a fartura e planta a sabedoria nos corações.
Ogum é o senhor do ferro, da coragem e da vitória. Orixá da energia e da atitude, representa a força que move, a persistência que sustenta e a fé que jamais se dobra diante das lutas da vida. É o guerreiro que vence as demandas, o defensor dos fracos e oprimidos, o símbolo da perseverança e da superação espiritual.
Montado em seu cavalo branco – sinal de pureza e justiça – Ogum carrega espada e lança em punhos, enfrentando todas as batalhas com bravura e fé. Sua capa vermelha ondula ao vento, lembrando o fogo da transformação e a energia que renasce mesmo após a queda. Ele é o orixá do renascimento, aquele que ensina que é possível reerguer-se quantas vezes forem necessárias.
Ogum é o senhor dos caminhos e das encruzilhadas, o guardião que abre estradas e remove obstáculos. Sua presença é sentida nas matas, rios, beiras de mar, estradas de ferro e entradas das cidades, onde sua energia de ordem e proteção se manifesta. Atua também nas transições entre os mundos, protegendo a passagem e supervisionando os domínios espirituais e materiais.
É o regente da ação e da justiça, aquele que inspira coragem e disciplina aos filhos de fé. Ogum ensina que a verdadeira força está na retidão e na lealdade, e que o ferro que fere também constrói e defende.
Outros desdobramentos, como Ogum Sete Ondas, também manifestam aspectos dessa força divina, cada qual agindo em sintonia com os elementos e os propósitos da criação.
Ogum é a espada que abre os caminhos, o fogo que purifica e o ferro que protege os que lutam com fé.
Oxum é a senhora das águas doces, das cachoeiras, dos lagos e rios que refletem a luz do sol com doçura e pureza. É a Deusa do amor, da harmonia e da beleza, símbolo da maternidade sagrada e da ternura que acolhe e consola. Sua vibração desperta a sensibilidade, o afeto e a união entre os seres, inspirando o equilíbrio nas relações e a paz nos lares.
Guardiã dos sentimentos e dos laços familiares, Oxum é a força que sustenta a concórdia e a compreensão. Em seu espelho, o reflexo do amor se multiplica, revelando a pureza da alma e o valor do cuidado mútuo. Em cada lágrima que cai, há a promessa de cura; em cada sorriso que nasce, a benção de sua presença.
Protetora das mães e das crianças, é invocada em momentos de gestação, parto e renascimento. Seu canto é suave e sereno, às vezes choroso, mas sempre carregado de fluidos benéficos que purificam o coração e acalmam a alma.
Oxum também é senhora da prosperidade e da fartura. Representada pelo ouro e pelo brilho, ensina que a verdadeira riqueza está no amor e na generosidade. É a Deusa das artes, da beleza e da delicadeza, cuja vaidade sagrada reflete a perfeição da criação divina.
Quem se banha nas águas de Oxum renasce com o coração limpo e a alma dourada pela luz do amor.
Xangô é o Orixá da justiça, da verdade e do equilíbrio. Rei das pedreiras e senhor dos trovões, ele representa a força que sustenta a ordem e o discernimento no mundo. Sua vibração habita nos tribunais, nas assembleias, nos debates e em todos os espaços onde se busca o que é justo e correto. É o poder que governa com sabedoria, guiando o homem pelo caminho da retidão.
Ele é o som do trovão que desperta a consciência e a luz do relâmpago que revela a verdade. Xangô ensina que não há justiça sem equilíbrio, nem sabedoria sem humildade. Sua presença inspira responsabilidade, disciplina e coragem para defender o que é certo, mesmo diante das tempestades.
Como rei e guerreiro, Xangô simboliza a autoridade justa, o poder usado com propósito e o domínio das paixões humanas. É o orixá que sustenta o progresso, a liderança e o respeito, regendo o intelecto e a vontade de construir um mundo mais digno. Sua energia está nas montanhas e pedreiras, nas vozes que clamam por igualdade e nos corações que buscam a verdade.
Xangô também é a força do conhecimento e da palavra. Ele rege o estudo, a reflexão e a clareza de pensamento, lembrando que o saber é uma forma elevada de justiça. Em cada decisão justa, em cada atitude honrada, há o eco de seu machado sagrado abrindo os caminhos da verdade.
Onde o trovão ecoa, Xangô fala; onde a pedra se ergue, a justiça se firma. Que sua luz guie nossos passos e nossas decisões.
Iansã é a Orixá dos ventos, das chuvas e das grandes transformações. Guerreira e implacável, ela atua ao lado de Ogum como aplicadora da Lei, conduzindo o equilíbrio através do movimento e da mudança. É a Senhora do Tempo, dona das rajadas que limpam o ar e das tempestades que renovam a Terra. Onde o vento sopra, há o toque de sua presença; onde o trovão ressoa, há o eco de sua força.
Representa o poder do ar e da respiração — o sopro divino que dá vida e faz tudo pulsar. Iansã é o movimento contínuo da existência, o impulso que nos faz seguir em frente, romper amarras e enfrentar as tempestades internas. É a energia que transforma o medo em coragem, o caos em renovação e a dor em aprendizado.
Como mulher guerreira, é símbolo de determinação, paixão e autoridade. É teimosa e fiel, movida pela chama da justiça e pela intensidade do amor. Ser filha de Iansã é carregar no peito o poder dos ventos e nos olhos o brilho da liberdade. É ter a alma que não se dobra e o coração que nunca desiste.
Iansã é também a guardiã dos espíritos desencarnados. Ao lado de Obaluaê, conduz os eguns e orienta aqueles que se perdem entre os planos, devolvendo-lhes o caminho da luz. Sua missão é guiar, limpar e direcionar as energias que vagam sem rumo, restaurando a harmonia entre o mundo material e o espiritual.
Em sua força vibra a paixão, o desejo e o impulso da vida. Iansã é o vendaval que varre o passado, a tempestade que desperta a consciência e o sopro que traz a novidade. Quando ela passa, nada permanece igual — pois sua Lei é a da mudança e do renascimento.
Iansã comanda a falange dos Boaideiros, espíritos de coragem e movimento que simbolizam o domínio sobre as forças indomáveis da natureza e da alma humana.
Quando Iansã sopra, o medo se dissipa, a coragem desperta e a vida recomeça. Seus ventos não destroem: transformam.
Iemanjá é a Orixá dos mares e das águas salgadas, Senhora da Calunga Maior, onde o oceano se torna sagrado. Conhecida também como Janaína ou Senhora da Coroa Estrelada, é a deusa da maternidade universal, mãe de todos os filhos da Terra e protetora das mães, esposas e famílias. Representa a doçura, a generosidade e a força que acolhe, protege e sustenta.
Nos mares profundos habita sua energia serena e poderosa, que rege a fecundidade, a prosperidade e o equilíbrio emocional. Iemanjá é a guardiã da vida, aquela que acolhe os que se perdem e que guia com amor todos os que buscam um porto seguro. É também a protetora dos pescadores e navegantes, garantindo fartura e segurança em suas jornadas sobre as águas.
Em sua vibração encontramos a paz e a harmonia que unem os lares. Iemanjá é o elo que liga as famílias, a energia que fortalece os laços afetivos e desperta o amor entre pais e filhos. É ela quem rege as casas e transforma cada convivência em uma expressão de fraternidade e carinho. Sua presença nos lares traz estabilidade, serenidade e o sentido verdadeiro de união.
No terreiro, Iemanjá manifesta-se como a força que transforma o grupo em uma grande família espiritual. Ela une corações, desperta o sentimento de irmandade e fortalece os vínculos entre filhos, mães e pais de santo. Assim como Oxalá representa o princípio gerador masculino, Iemanjá é o princípio gerador feminino, a matriz sagrada que complementa e dá vida à criação.
Senhora dos mares, ela controla as marés, as ondas e os ventos que sopram sobre o oceano. É a força que alimenta os seres aquáticos, que acalma as águas revoltas e que protege a vida marinha. Iemanjá é movimento e profundidade, é a correnteza que purifica e o mar que acolhe.
Nas ondas de Iemanjá encontramos o abraço da Mãe Divina — que acolhe, acalma e renova a vida com o sal do amor e a pureza do mar.
Nanã Buruquê é a mais antiga das Orixás das águas, a Grande Avó divina que acolhe com amor, paciência e ternura. Representa o colo que ampara e consola, aquele em que encontramos o perdão, a serenidade e a libertação do passado. A Ela recorremos quando desejamos transformar nossas dores em sabedoria e renascer mais leves e conscientes.
Senhora da maturidade espiritual, Nanã rege o ciclo da vida e da morte, da transformação e do recomeço. Seu domínio está na lama sagrada, o elemento que une a água e a terra — símbolo da origem e do retorno de todas as formas de vida. É a deusa dos pântanos e do tempo ancestral, aquela que conhece os segredos mais profundos da existência e conduz o espírito ao caminho da evolução.
Nanã atua na linha da evolução, compartilhando seu poder com Obaluaiyê, seu complemento masculino. Enquanto Ele estabelece o elo entre o espírito e o corpo físico, Nanã prepara as almas para o renascimento, decantando as lembranças do passado e purificando o emocional dos seres. É Ela quem conduz o esquecimento do sofrimento, permitindo que a vida se renove em harmonia com o propósito divino.
Rigorosa e justa, Nanã oferece segurança e estabilidade àqueles que se voltam a Ela com sinceridade. Sua energia, embora serena, é profundamente transformadora — ensina o desapego, o perdão e a aceitação dos ciclos naturais da vida. Nanã não aceita a deslealdade, pois sua sabedoria é antiga e sua justiça, inflexível, sempre pautada no amor e na verdade.
Em Nanã encontramos o colo da eternidade — onde tudo se encerra apenas para recomeçar, e cada fim é apenas o início de uma nova vida.
Obaluaê e Omulu são dois aspectos de uma mesma força divina: o poder da Terra que transforma, regenera e renova a vida. Obaluaê representa a juventude, o guerreiro que luta pela cura e pela superação. Omulu é o ancião, o sábio que guarda os mistérios da existência e domina os segredos da morte e do renascimento. Juntos, simbolizam o ciclo completo da vida — nascimento, transformação e retorno à origem.
São os Senhores da Terra, onde tudo se inicia e tudo retorna. Regem as energias da transmutação e da cura, transformando tudo o que é denso ou desequilibrado em força vital e renovadora. Obaluaê e Omulu recebem e purificam as vibrações negativas, conduzindo-as de volta ao solo sagrado, de onde ressurgem em equilíbrio. São também os guardiões do karma, nos lembrando que cada ação gera um retorno e que o perdão é o primeiro passo da libertação espiritual.
No plano espiritual, são os Senhores da passagem e da transição entre os mundos. Quando um espírito se desprende do corpo, é sob a luz de Omulu que ele encontra o caminho para o plano astral, sendo amparado e purificado por suas forças. Por isso, são conhecidos como Mestres das Almas e Guardiões dos Mistérios da Vida e da Morte.
Obaluaê, o jovem caçador, traz a energia ativa da cura, a fé e o reerguimento diante das dores e das provações. Omulu, o velho feiticeiro, é o silêncio da sabedoria, o guardião das leis divinas e o senhor que encerra os ciclos para que novos possam nascer. Suas palhas simbolizam o mistério, o oculto e o poder de transmutar tudo o que precisa ser curado.
Na Terra de Obaluaê e Omulu, a dor se transforma em cura, o fim se faz recomeço, e o mistério revela o poder da renovação divina.
Exu é o guardião dos portais e o mensageiro entre os mundos. É ele quem conduz os pedidos aos orixás, quem abre os caminhos e quem guarda as encruzilhadas da vida. Sua energia é movimento, é equilíbrio, é o impulso que faz com que tudo aconteça. Mas para compreendê-lo é preciso desmistificar o medo e o preconceito, reconhecendo nele um servidor fiel da Lei e da Luz.
Muito se fala, e pouco se entende, sobre Exu. Ele não é o mal — nunca foi. Nenhum orixá colocaria sob sua guarda um espírito indigno de confiança. Exu é força justa e vigilante, que não se vende, não se corrompe e não se curva diante do desequilíbrio. O verdadeiro Exu trabalha pela ordem, pela justiça e pela evolução dos seres.
O que há, por vezes, são espíritos atrasados que se fazem passar por Exus e Pombagiras, enganando médiuns invigilantes e corações frágeis. Por isso, é essencial discernimento e fé. A Umbanda verdadeira não cobra, não promete amarrações, não sacrifica animais, nem oferece barganhas com o divino. Na senda da Luz, tudo é doação, amor e merecimento.
Exu é o guardião das fronteiras entre o bem e o mal, entre o pensamento e a ação, entre o silêncio e a palavra. Ele nos ensina que cada escolha tem consequência, e que a verdadeira magia está na responsabilidade e na retidão de nossos atos. Com ele aprendemos que não existe acaso: há caminho, e há aprendizado.
Sem Exu, nada se move. Com Exu, tudo encontra seu caminho na Lei.
Ibeji representa a alegria, a pureza e a espontaneidade divina. São espíritos que já estiveram encarnados e escolheram continuar sua evolução através da prática da caridade, manifestando-se como crianças nos terreiros de Umbanda. Por terem desencarnado ainda jovens, mantêm traços de sua última vida terrena: o jeito brincalhão, o gosto por doces e brinquedos, e a fala inocente.
Quando incorporam em médiuns, os Erês — como também são chamados — trazem leveza, riso e movimento. Cada gesto ou brincadeira carrega um propósito espiritual: descarregar energias negativas, equilibrar vibrações ou curar corações. Atrás da aparência infantil, escondem-se espíritos de imensa sabedoria e poder. Apesar das brincadeiras, exigem respeito, pois seu trabalho é profundo e transformador.
Os Ibejis são mensageiros dos Orixás, responsáveis por levar recados e harmonizar o ambiente. Costumam atender com rapidez e eficiência, mas também são rigorosos em relação às promessas feitas — especialmente presentes e oferendas. Cumprir a palavra é parte do aprendizado espiritual que eles nos ensinam.
Na Umbanda, a Linha das Crianças é uma das mais próximas do Criador. Muitas dessas entidades estão ligadas à força curadora de Cosme e Damião, sendo associadas à doçura e à renovação da vida. Durante suas festas — celebradas entre 27 de setembro e 25 de outubro — é comum oferecer doces, balas, refrigerantes e o tradicional caruru, em sinal de gratidão e alegria.
Ibeji é senhor de todos os elementos: terra, água, fogo e ar. Ele os utiliza conforme a necessidade para equilibrar energias e restaurar o bem-estar espiritual e físico. Atua especialmente nos assuntos familiares, na proteção das crianças e nos casos de fertilidade. Esses pequenos-grandes mensageiros são verdadeiros magos da luz, portadores da alegria divina e da pureza capaz de transformar qualquer ambiente.
A pureza de uma criança é a mais poderosa forma de luz — simples, sincera e capaz de curar o mundo.
Os Pretos Velhos são espíritos de profunda luz e sabedoria, representantes da humildade, da serenidade e da paciência — virtudes essenciais para o nosso crescimento espiritual. São almas antigas que, em vida, foram escravizadas e sofreram todas as dores e injustiças do cativeiro. Mesmo diante da opressão, conservaram em seus corações a fé, o amor e a esperança, transformando o sofrimento em aprendizado e compaixão.
Esses espíritos formam a chamada Linha das Almas, uma das mais respeitadas dentro da Umbanda. Carregam consigo a memória dos que viveram em senzalas, privados da liberdade, mas ricos em sabedoria ancestral. Trouxeram da África o conhecimento das ervas, raízes e elementos da natureza, utilizando-os para curar, proteger e equilibrar o corpo e o espírito.
Quando se manifestam nos terreiros, chegam com gestos simples e palavras mansas, irradiando calma e amor. Seu falar lento e cheio de sabedoria é um convite ao silêncio interior e à reflexão. A cada conselho, a cada benção, eles nos ensinam que a verdadeira força nasce da fé e da humildade.
Os Pretos Velhos são grandes curadores e orientadores espirituais. Trabalham com as energias da terra e da ancestralidade, limpando as dores, quebrando demandas e trazendo conforto às almas aflitas. Representam o elo entre o passado e o presente, lembrando-nos que a dor pode ser caminho de elevação, e que o amor é o maior instrumento de libertação.
Na humildade dos Pretos Velhos habita a força da fé, a paciência dos séculos e a sabedoria das almas antigas.
Textos adaptados e organizados pela Tenda Espírita Pena Verde — para uso informativo e educativo no site institucional.